Rio Tâmega

Abr 22, 2015

Com 145 quilómetros de comprimento, o rio Tâmega é mais um dos afluentes internacionais do rio Douro. Nasce em Espanha, na Serra de San Mamede, Galiza, e desagua em Entre-os-Rios. Imagem de marca de cidades como Chaves, a montante, ou Amarante, a jusante, o rio corre o risco de se tornar um conjunto de lagoas de água parada.

A Cascata do Tâmega, como é conhecida, prevê um total de três (3) barragens em todo o curso do rio: onde termina uma  albufeira nascerá o paredão de outra. Conheça as características e localizações aqui. Estavam também previstas mais duas barragens, correspondentes ao escalão principal e ao escalão de jusante do Aproveitamente Hidroelétrico de Fridão, cancelado em abril de 2019 pelo Ministro do Ambiente e da Transição Energética.

O projeto começou a ganhar forma nos anos 80, com a construção da Barragem de Torrão, em Marco de Canaveses. As consequências são hoje evidentes: a albufeira transforma-se frequentemente num imenso lago de algas e lodo devido à má qualidade da água e ao seu estado de eutrofização.

No lançamento do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) previa-se  a continuação da Cascata do Tâmega. Seriam construídas as barragens de Fridão, concessionada à EDP, Padroselos (no rio Beça, afluente), Gouvães, Alto Tâmega/Vidago e Daivões (nos rios Torno e Louredo, afluentes).

O empreendimento hidroelétrico de Padroselos, integrado no chamado Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), concessionadas à Iberdrola, foi chumbado pelo Ministério do Ambiente devido a uma importante colónia de mexilhão de rio do norte (Margaritifera margaritifera) presente na área.

Em abril de 2016, fruto do acordo de apoio parlamentar estabelecido entre o Partido Socialista e o Partido Ecologista “Os Verdes”, que previa “reavaliar o Plano Nacional de Barragens, nomeadamente as barragens cujas obras ainda não iniciaram, como é o caso das barragens da Cascata do Tâmega”, é anunciada primeira vez, deste 2007, uma reavaliação ao PNBEPH.

Anuncia-se o cancelamento definitivo da construção dos empreendimentos hidroelétricos de Alvito (concessionado à EDP), no rio Ocreza, e Girabolhos-Bogueira (concessionado à Endesa), no rio Mondego. Contudo, as outras barragens do SET continuam em projeto, apesar do protesto das associações de defesa do ambiente.

O contrato de concessão da barragem do Fridão, a quarta barragem no rio Tâmega, a jusante do SET, concessionada à EDP, devia ter sido assinado em Setembro de 2014. Em maio de 2015, esta obra perde o subsídio à garantia de potência, devido a atrasos no processo de licenciamento, por parte da empresa elétrica. Com a “Revisão do Programa Nacional de Barragens” o Aproveitamento Hidroelétrico de Fridão foi suspenso por três anos, até 2019. Não está, contudo, cancelado.

 

Há décadas que os habitantes das margens do Tâmega se manifestam contra a construção destes projetos. O Movimento Cidadania para o Desenvolvimento do Tâmega e a Associação Cívica Pró-Tâmega têm liderado a contestação. O projeto Rios Livres GEOTA está com eles.

 

Já podem descarregar o mapa das barragens previstas para o rio Tâmega – Fridão, Daivões, Gouvães e Alto Tâmega – conhecer as consequências negativas, os locais afetados e algumas características dos empreendimentos.

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Descarreguem aqui PDF em alta resolução

Mapa novas barragens no rio Tâmega

Mapa novas barragens no rio Tâmega

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