Água ao Minuto

É uma série de episódios video, especialmente concebida para as escolas e onde se explica sucintamente os principais temas acerca dos rios e da sua sustentabilidade, biodiversidade e necessidade de proteção.

Descritivo

1. O que é o Restauro Fluvial? – 1′ 19 min.

A maioria dos nossos rios e das suas margens encontram-se bastante degradados devido às atividades humanas. Os rios e os seres vivos que lá habitam e interagem entre si e com o meio, constituem o ecossistema fluvial. Este sistema é muito complexo, engloba muitas espécies animais e vegetais e o espaço onde o rio se movimenta naturalmente, conforme as subidas e descidas dos caudais. Recuperar o ecossistema fluvial de forma a tentar que volte a um estado próximo do original não é fácil, e pode ser feito através do restauro fluvial. Muitas vezes, quando o grau de degradação é já tão elevado, que não permite o restauro, podem fazer-se outras intervenções, como a reabilitação ou a regeneração. Estas, também têm o objetivo de recuperação do ecossistema, mas aceitam as limitações que não permitem que se atinja um estado natural.

2. As nossas leis protegem os rios? – 1′ 21 min.

Existem várias leis que protegem os rios, as suas margens e as muitas espécies que lá habitam. Há, por exemplo, umas leis que limitam o que podemos fazer dentro dos rios ou junto a eles, outras leis sobre a captação da água que vai para as nossas torneiras, para a agricultura ou para as fábricas e outras ainda. Mas se juntarmos todas as leis, os nossos rios ficam suficientemente protegidos? Infelizmente não. Primeiro, porque mesmo quando as leis existem, muitas vezes não são respeitadas, principalmente quando não há fiscalização.
E em segundo lugar, porque há assuntos que não estão na lei. Por exemplo, não há leis que protejam a continuidade dos rios – pode-se construir muitas barragens, que dificultam a passagem natural da água, dos sedimentos e dos próprios peixes, que deixam de poder migrar para os locais de desova.
Precisamos então de mais leis para proteger os rios? Sim.

3. Qual a importância de preservar os Rios e os ecossistemas de água doce? – 1′ 25 min.

A maioria da água do nosso planeta é salgada. A água doce, como a água dos rios e a água da chuva, que usamos para beber, para tomar banho, e para regar as nossas plantas, é essencial à vida. Apesar disso, o ser humano não tem cuidado bem deste recurso raro – destruindo, degradando e poluindo as zonas húmidas, nascentes e rios onde essa água se encontra.
É urgente reconhecer a importância dos rios e dos habitats de água doce! Os rios são as veias do planeta. Por eles corre a ÁGUA que é o recurso mais importante para a vida.
Da nascente à foz, os rios têm enorme importância económica, social, cultural e ambiental. Ajudaram a criar grandes cidades e civilizações. Criaram paisagens maravilhosas e são habitados por muitos seres vivos, alguns em perigo de desaparecer para sempre!
É muito importante para a nossa sobrevivência que os rios sejam livres e saudáveis!

4. Quem protege os rios em Portugal? – 1′ 25 min.

Em Portugal, as principais entidades com competências para proteger os rios são a agência portuguesa do ambiente e as comissões de coordenação e desenvolvimento regional. Se a ilegalidade e o dano provocado aos rios forem muito graves, também as autoridades policiais (como a GNR ou a PSP) podem receber denúncias. No que diz respeito ao controlo de atividades económicas, podem atuar entidades como as câmaras municipais ou o Instituto de conservação da natureza e florestas.

Na prática, quem protege os rios em Portugal é quem desenvolve atividades sem os prejudicar:
– não desperdiçando água;
– não consumindo produtos que precisam de muita água para serem produzidos (como a pera abacate ou a manga do Algarve);
– não deitando o que não se deve para os esgotos (como medicamentos);
– Ou, quem pede informação sobre os rios, quem participa em consultas públicas sobre os rios (como as consultas aos planos de gestão de bacia hidrográfica) e quem denuncia maus usos.

5. O que são serviços de ecossistemas fluviais? – 1′ 14 min.

Os rios são ecossistemas que fornecem serviços muito importantes para as pessoas, que asseguram o seu bem-estar. Os serviços de ecossistemas são os benefícios que a humanidade retira da natureza. Esses serviços dividem-se em grupos: os de aprovisionamento, de regulação e culturais.

Os rios, enquanto ecossistemas fluviais saudáveis, fornecem serviços muito diversos, como: a produção de alimento, a regulação das cheias, e a possibilidade de recreio e de interações com a natureza.

Os serviços de ecossistemas estão diretamente relacionados com as funções dos ecossistemas e com a sua biodiversidade, da qual dependem. A sua degradação, provocada pelas atividades humanas, afeta negativamente esses serviços, pondo em causa a natureza, o bem-estar humano e até mesmo a sobrevivência do planeta.

Esta forma de pensar a natureza é importante para a conservá-la porque permite perceber o valor que os ecossistemas têm para as pessoas e até implementar estratégias de pagamento desses serviços.

6. Porque beber água da torneira? – 1′ 14 min.

Beber água da torneira é a melhor opção em termos ambientais. Beber água engarrafada implica, a produção de garrafas, e, consequentemente, a gestão do destino dessas garrafas após o seu uso. Para a sua produção há custos ambientais na extração das matérias primas e são necessárias grandes quantidades de energia. Após o seu uso, muitas das garrafas acabam no lixo ou abandonadas, mas mesmo as que têm um destino correto e são recicladas, obrigam a grandes gastos de energia, contribuindo para as alterações climáticas.

Por isso, a melhor opção é mesmo beber água da torneira. Em Portugal, para além de ser a opção mais económica, é de grande qualidade, fiabilidade e segurança, porque é sujeita a um apertado controlo, é mais sustentável do ponto de vista ecológico, e tem um excelente sabor.
Pela nossa saúde e pela saúde do nosso planeta, devemos optar pela água da torneira. O planeta e as futuras gerações agradecem.

7. Ainda há fontes em Portugal? – 1′ 06 min.

Existem fontes em Portugal que ainda se encontram em funcionamento, mas muitas, hoje em dia, já não têm água potável.

As fontes tinham uma grande importância económica e social: eram um ponto de encontro das famílias, fundamental para as relações locais. Funcionavam também como abastecimento de água, servindo para encher os depósitos das casas. As casas antigamente não tinham água canalizada, algumas tinham poços, mas as fontes eram usadas por todos os membros da comunidade.

Devido à grande importância da água, a maior parte das aldeias, vilas, e até cidades cresceram em torno das fontes.

Existem muitas tradições relacionadas com as fontes: lendas, cantigas e histórias, que demonstram a importância funcional e social que estas tinham para as pessoas. Hoje fazem parte da memória do lugar e do património a preservar.

8. Remoção de barreiras em Portugal – era uma vez uma barragem – 1′ 27 min.

Será possível remover barragens? Ou seja, retirar do rio as estruturas transversais, pequenas ou grandes que impedem a água, os seres vivos e os sedimentos de seguirem o seu fluxo natural? Sim, é possível! E porque devemos removê-las? As barreiras são uma ameaça ecológica e de saúde pública porque:

– impedem a migração e reprodução dos peixes;
– alteram o curso natural do rio e a composição dos habitats;
– provocam a emissão de gases com efeito de estufa e as alterações da temperatura e oxigénio dissolvido na água;
– facilitam a introdução das espécies exóticas;
– e retêm mais de 25% dos sedimentos globais que se movimentam nos rios, provocando a erosão nas praias.

A remoção de barragens é um tipo de intervenção, já muito utilizada na Europa e no mundo e permite:
– restaurar as funções ecológicas e os serviços de ecossistemas;
– recuperar a biodiversidade com o restabelecimento das rotas migratórias de peixes, e a recuperação de habitats;
– diminuir o investimento de manutenção, porque custa 10 a 30 vezes menos remover do que reparar e manter essas barreiras;
– Criar condições para o recreio e turismo.

Vamos remover barragens? SIM!!!

9. O que é o caudal ecológico? – 1′ 28 min.

Os caudais ecológicos são aqueles que permitem a quantidade e a qualidade de água necessárias para assegurar a conservação e manutenção dos ecossistemas de água doce e estuarina, o bem-estar dos seres humanos e outros seres vivos que deles dependem, assim como os aspetos estéticos, científicos e culturais.

Os caudais ecológicos não são, necessariamente os padrões naturais e primitivos, são aqueles que permitem preservar as funções naturais e tradicionais dos rios, para além de uma gestão focada no abastecimento de água, energia, controlo de cheias ou recreio.

No caso de Portugal, em que muitas bacias hidrográficas são partilhadas com Espanha, é essencial que os dois países cooperem para que se garantam caudais ecológicos contínuos e permanentes, que respeitem a sazonalidade.

Infelizmente, a libertação de caudais que ocorre nos nossos rios não observa um regime de caudal ecológico e, por este motivo, não tem garantido uma regularidade que assegure o bom funcionamento ecológico dos ecossistemas fluviais.

É, portanto, urgente que Portugal invista na cooperação transfronteiriça para a gestão das nossas bacias hidrográficas, implementando caudais ecológicos.

10. O que são Guarda Rios Comunitários?– 1′ 23 min.

Entre o séc. 18 e o séc 20, a profissão de guarda rios tinha a função de vigiar e proteger os cursos de água, fiscalizando a extração de areias, a pesca clandestina, o corte de árvores, os despejos e fontes de poluição, e as alterações do uso das margens e leitos dos cursos de água. Os Guarda Rios eram, habitualmente, pessoas que pertenciam à população local, que conheciam muito bem os troços de rio, e que, desta forma ajudavam a cuidar da saúde dos rios, promovendo o seu bom estado ecológico.

Atualmente, dada a importância da monitorização dos nossos rios, em algumas zonas de Portugal está-se a tentar recuperar a profissão de guarda rios e assim voltar a estar “de olhos postos” no rio.

Ser Guarda rios comunitário é trabalhar em parceria, desde amigos, famílias, escolas e escuteiros a empresas e associações profissionais ou recreativas num programa conjunto, continuado e integrado de vigilância e proteção activa dos nossos cursos de água. Ser guarda rios comunitário é cuidar da nossa saúde, enquanto promovemos o equilíbrio do ambiente em que vivemos.

11. Afinal o que acontece com o aumento da temperatura do planeta?– 3′ 09 min.

Na história da terra as mudanças no clima são constantes. Por exemplo, grande parte de Portugal estava coberto de gelo há 20 mil anos atrás. No atual cenário de alterações climáticas, estas mudanças estão a ocorrer demasiado rápido, sendo o ser humano o grande responsável. O nosso planeta está a aquecer perigosamente, e espera-se que a temperatura aumente mais de 1,5 graus nas próximas décadas, podendo fazer desaparecer várias espécies e habitats.

Também os padrões de precipitação estão a mudar. Em determinadas locais assistimos a uma diminuição da precipitação, que leva a fenómenos como a seca e a desertificação. Noutros locais há precipitações intensas em períodos de tempo muito curtos, que têm levado a fenómenos catastróficos de inundações e de cheias.

Estas alterações no clima têm consequências graves no ciclos e processos do planeta, como:

– A subida do nível do mar, com a submersão de algumas áreas ribeirinhas;
– O degelo em zonas de montanha e em regiões como a Gronelândia, a Antártica e o Ártico;
– As Mudanças nos ciclos bióticos;
– E a alteração das direções dos ventos e das correntes oceânicas.

Por sua vez, estes fenómenos, terão consequências graves para os seres vivos, incluindo os seres humanos, e para os seus habitats.

É urgente que os seres humanos mudem os seus comportamentos, para travarmos os efeitos das alterações climáticas.

12. O uso de água na agricultura pode ser sustentável? – 1′ 11 min.

A agricultura pode usar a água de uma forma sustentável. Depende apenas da quantidade que se usa e da forma como se usa. A água é essencial à agricultura. Para que possa ficar disponível para as gerações futuras, devemos praticar uma agricultura que não explora simplesmente os aquíferos e os ecossistemas a estes associados, mas que os regenera.

A quantidade de água disponível não é ilimitada. Por isso devemos adotar práticas que diminuam a necessidade de água como:

– Plantar espécies autóctones, de acordo com o local e a estação do ano;
usar um sistema de irrigação apropriado, e regar nos períodos diários corretos;
– Minimizar a evapotranspiração e o escoamento da água através de técnicas como o uso de cobertura morta;
– Utilizar técnicas para melhoria da qualidade do solo a fim de absorver e reter mais água da chuva.

Como consumidores, podemos promover formas de agricultura sustentável escolhendo produtores que privilegiem estas práticas agrícolas.

13. O que é uma paisagem de retenção de água? – 1′ 18 min.

As Paisagens de Retenção de Água, como as construídas pela Comunidade Tamera, no Sul de Portugal, são uma abordagem regenerativa e abrangente à restauração de ecossistemas. As Paisagens de Retenção de Água são um modelo para a gestão natural e descentralizada da água, uma base para a reflorestação e para a horticultura e agricultura em regiões ameaçadas pela desertificação, que inclui o abastecimento de água, a alimentação e o desenvolvimento de comunidades.

Em muitos locais, as más práticas agrícolas levaram à degradação do solo, diminuindo a sua capacidade de absorção de água. As Paisagens de Retenção de Água permitem restaurar o ciclo da água, retendo a água da chuva.

O princípio básico de uma paisagem de retenção de água é minimizar o escoamento superficial e aumentar a infiltração da água, abastecendo os aquíferos, e seguindo o seu fluxo no ciclo da água.

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