Como chegámos a esta lista?


A metodologia

 

A identificação de rios e troços de rios, que não apresentam alterações morfológicas significativas (i.e. barragens) e se encontram com boa qualidade em termos químicos e ecológicos, foi feita com base em dados oficiais  (Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Douro) da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com uma posterior definição e aplicação de critérios.

A seleção das massas de água superficiais sujeitas a análise teve por base os seguintes critérios: os estados químico e ecológico classificados como igual ou superior a “Bom”, eliminando todas as massas que apresentam um dos estados como desconhecidos (i.e. cerca de 60%) e a inexistência de pressões hidromorfológicas (i.e. pequenas e grandes barragens e açudes muito artificializados). Esta análise resultou na identificação de 15 massas de água, num universo de 390 massas de água superficiais.

A caracterização das massas de água resultantes foi feita posteriormente com  base em informação existente e divulgada por organismos públicos, como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e os municípios em que se inserem, mas também em publicações científicas. Verificou-se que existe pouca informação publicada para estes troços de rios.

Paralelamente, e sempre que possível, todas as massas de água foram analisadas em imagens de satélite, de modo a verificar a possível existência de alterações ao seu curso, não reportadas na informação da APA (p.e. açudes de média dimensão, construídos com betão).  Esta pesquisa não foi possível para todas as massas de água, dada a má qualidade das imagens analisadas. Contudo, possibilitou a eliminação de vários troços em análise, em que se verificou a existência de mini-hídricas ou açudes muito artificializados.

 

A inspiração

O desenvolvimento destes critérios teve por base outros existentes a nível internacional. Em que o GEOTA se inspirou e que adaptou ao contexto nacional.

Neste âmbito, destaca-se a lei implementada em 1968, nos Estados Unidos da América, o Wild & Scenic Rivers Act , com o objetivo de preservar os rios ainda em estado livre e com significativos valores naturais, culturais e recreativos, que deviam ser preservados para as gerações presentes e futuras. Os principais critérios aplicados através desta Lei são:

  1. Não ter reservatórios de água, resultantes de barragens  para consumo humano ou produção de eletricidade, no seu curso;
  2. Ser geralmente inacessíveis,  excepto por trilhos;
  3. Estar inseridas numa bacia hidrográfica que, na maioria do seu percurso, se encontre em “estado selvagem”;
  4. Não ter a água poluída.

 

Resultado final

A aplicação de todos os passos metodológicos descritos acima não teve por base visitas ao terreno e ignorou as lacunas de informação. Por um lado, não é possível verificar se as pressões hidromorfológicas registadas nos relatórios são significativas; por outro, eliminou as massas de água para as quais não haja informação completa sobre o seu atual estado ou potencial  bom estado no futuro.

Ainda assim, possibilitou a identificação destes 6 Outstanding Free Rivers na bacia do Douro.