O que pode fazer pelos Rios


Introdução

Os rios são as veias do Planeta Terra. Por eles corre um dos recursos mais importantes à vida: a água. Da nascente à foz os cursos de água têm uma enorme importância cultural, social e económica. Deram origem a numerosas civilizações e estão no coração das principais cidades mundiais.

A água dos rios precisa de ser cuidadosamente gerida e cuidada, já que milhões de animais (onde nos incluímos, seres humanos) e plantas dependem da sua qualidade para sobreviver.

É nos rios que se capta muita da água utilizada pelas populações para beber, cozinhar, lavar, cultivar plantas, criar animais, navegar, de entre outras utilizações, como atividades recreativas e de lazer. Os rios fazem parte da história das comunidades, compõem memórias, criam culturas e modos de saber fazer, abrem perspetivas de futuro.

Os rios foram, desde sempre, locais onde se aproveitava a força das águas como forma de gerar energia. Antigamente para produção de alimentos, em lagares de azeite ou vinho ou moagens de cereais. Mais tarde, para produção de electricidade, por via de aproveitamentos hidroelétricos e da construção de barragens.

Esta obras provocam uma série impactes negativos no ambiente. Seja pela destruição de ecossistemas, de património histórico e cultural ou por limitarem o potencial de desenvolvimento económico das comunidades, uma vez que são submersas vastas áreas que antes serviam como habitat a diversas espécies ou se destinavam a zonas de exploração agrícola ou florestal. Junta-se ainda o agravamento da erosão costeira, porque as barragens retêm os sedimentos que alimentam as praias, a destruição de paisagens e a criação de obstáculos à migração de peixes que necessitam do rio para se reproduzir.

Mas há outras ameaças, como a poluição. Ainda que as autoridades públicas tenham já proibido o uso de pesticidas altamente perigosos e se tenha generalizado o tratamento das águas de esgotos e industriais, a verdade é que a poluição difusa, causada sobretudo por práticas agrícolas intensivas que usam pesticidas e químicos, e a poluição pontual, devido a descargas de unidades industriais e frequentemente ilegais, continuam a ser a principal causa de poluição dos recursos hídricos.

No entanto, o futuro traz consigo desafios mais complexos e difíceis de controlar. As alterações climáticas e o aumento da população a nível mundial criarão tensões na gestão da água e, por conseguinte, de todos os sistemas ribeirinhos.

Apresentamos um Guia de Ação para vigiar e defender o seu rio, dependendo da situação e estado em que este se encontra.

 

Este manual é uma adaptação do trabalho de Vasco Rodrigues, estudante do curso de Mestrado Integrado em Engenharia do Ambiente, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Foi realizado durante um estágio no Projeto Rios Livres, ao abrigo do Programa de Introdução à Prática Profissional desta instituição de ensino superior.